quinta-feira, 19 de outubro de 2017

sobre estes dias...

quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Ainda me custa escrever estas linhas, porque as imagens não me saem da cabeça, não propriamente as que a seguir descrevo mas as que vi à posteriori. No domingo passado estávamos a acampar no nosso retiro, porque o tempo uma vez mais nos convidou a aproveitar a natureza, e a determinado momento eu e o meu filho mais velho decidimos ir uns minutos até à entrada do parque para podermos apanhar sinal de net. Estivemos o tempo suficiente para que ele trocasse umas msgs com os amigos e eu dar uma olhadela ao instagram. Isto não demorou mais de quinze minutos e levantámo-nos da mesa para irmos ter com o pai R e o pequeno R à caravana. De repente, e foi mesmo assim, de repente, uma monstruosa nuvem negra tapou o sol, que parecia uma verdadeira bola de fogo, e o vento começou a soprar, forte. Olhámos um para o outro e comentámos que vinha aí tempestade e que finalmente ia chover . Tirámos umas fotos, eu publiquei umas no instagram, certa de que se tratava da chegada de uma tempestade para despedida do Verão de Outono. A dita nuvem apareceu do lado do mar e o único cheiro que o ar nos dava era o da maresia. Chegados a casa, a certa altura liguei a tv porque queria ouvir notícias. De imediato me apercebi que a monstruosa nuvem negra que cobriu o céu naquele final de tarde não era uma bem-dita carga de água que se anunciava, mas sim o efeito de um país a arder. Horror. E a primeira coisa que me veio à cabeça foi: outra vez???!!! que é isto???!!!
E lá estávamos nós a assistir em directo à devastação de vidas e floresta.
Tenho pensado no que é que posso fazer e fico com uma sensação de bloqueio. Isto é repetido e é absurdo que o seja e nunca, jamais, devia ter acontecido, nem uma, nem outra vez. Tenho vários amigos que são daqueles lugares. Uns estiveram lá a lutar pelas casas e vidas dos pais, outros pela suas próprias vidas e pelos seus bens. Relatam-me casos de quem tudo perdeu, tudo mesmo, não lhes restando nada, nem sequer o ombro do ente mais querido para poder deitar a cabeça e sentir algum consolo. Nada. A sensação de impotência é tão grande que sufoca. Quando o primeiro episódio se sucedeu ficámos todos com a certeza de que era uma tragédia que jamais podíamos ver repetida, afinal, apenas passaram quatro meses e agora isto.
Na última publicação usei a expressão "virar a página", mas para outro assunto, muito leve. Pressinto que por vezes seja muito difícil virar a página para poder continuar, sim, apenas pressinto porque não consigo sequer imaginar o que seja viver tal atrocidade. Virar a página. Há que ter muita coragem para o fazer, mas conseguindo-a não podemos virar para voltarmos a encontrar o desespero, a angústia, a impotência e o vazio. Não queremos cair na rotina de solucionar o problema com sacos de roupa, pacotes de comida ou programas televisivos para angariação de fundos. Queremos ver as responsabilidades assumidas e a certeza de que de uma vez por todas as medidas são tomadas, TODAS, para que jamais nos obriguem a assistir e a viver o que não queremos viver.
São dez da manhã, estou a terminar estas linhas e a seguir vou preparar um saco com roupa para ser entregue este fim-de-semana pelas mãos de uma amiga a famílias que ela conhece, gente devastada que de momento apenas conta com a solidariedade e a compaixão de cada um de nós...
Chega!


Até já
Ana Lado B



sábado, 14 de outubro de 2017

virar a página # memo de Outono

sábado, 14 de outubro de 2017
inspiração de Outono  

a árvore dos meus dias

as árvores que me protegem 

Preciso de virar a página e sentir o Outono. Os dias de sol quente vão permanecendo mas ele já está aí, sinto-o, embora tímido. As árvores em frente à minha casa foram podadas, somos acordados por manhãs de nevoeiro intenso e presenciamos os finais de tarde e noite envoltos na neblina. As noites já não dispensam o dito casaco, o vento quando sopra já arrepia a pele, o chão já anda coberto de folhas, os assadores de castanhas andam nas ruas. A chuva, essa...  já devia andar por cá mas ainda não chegou e faz-nos tanta falta.  Nem oito, nem oitenta, muita chuva entedia-me, mas não haver nenhuma preocupa-me. Quero ver as alfaces e as couves, tudo o que conseguimos plantar este ano no quintal, a crescerem viçosas à conta da chuva. Tenho saudades de trabalhar com lã, daquela que só se aguenta nas mãos e no colo quando está frio. Tenho saudades de sentir o cheiro constante do forno na casa. Quero guardar os edredões finos e acrescentar as minhas mantas às camas. Quero que o pai R volte a fazer pão, algo típico cá em casa durante as estações frias. Apetece-me mais Outono. Decidi não tardar mais e já comecei a dar um lamiré outonal ao que vou fazendo, e quero mostrar-vos, numa espécie de memo de Outono. Comecemos por ligar o forno mais vezes, para surpreender a família e o nosso palato.
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Bolachas de manteiga. São deliciosas e acompanhadas por um café de cafeteira, ui, são de comer e chorar por mais. A receita vi-a num dos episódios da Mary Berry's. A Sra cozinha muito bem, mas atenção que não poupa nas calorias, são receitas bastante tradicionais, mas muito boas. Já experimentei algumas, todas deliciosas, mas só dá para fazer de vez em quando, como estas bolachas carregadas de manteiga. Mas malta, são tão deliciosas! Para mim representam conforto, acompanhadas com café acabado de fazer (agora até suspirei). Vejam a receita aqui. Como vão perceber, acrescentei umas nuances às bolachas. A senhora apresenta-as em três sabores, limão, amêndoa e pepitas de chocolate. Reproduzi as de limão, mas sem as envolver no açúcar mascavado. Em vez de pepitas, que não tinha em casa, juntei granulado de chocolate, daquele com que se enfeitam os bolos, resulta na perfeição. Substitui a amêndoa por granola, que é feita por mim, um destes dias dou-vos a receita. Digo-vos, esta mistura da granola nas bolachas dá-lhes um twist fantástico, ficam absolutamente BOAS! experimentem porque vão gostar.
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Estes novelos, o artist da Katia, são lã merino. Vão ser transformados numa camisola para mim. Tenho umas ideias, mas ainda não me decidi pelo modelo, apenas imagino algo liso, sem pontos de fantasia, o tinto mesclado já é suficiente para criar efeitos.

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O projecto da primeira foto tem andado pelo instagram. Entretanto já cresceu e está quase a metade do tamanho final. Está a dar-me um gozo especial, porque o estou a criar de raíz e também porque tem uma pequena história que será contada quando fizer a publicação dedicada ao projecto. Na foto a seguir, pois que não resisti aos novelos que já vos tinha mostrado aqui, apresento o início de mais uma manta granny-square. Adoro-as, acho-as sempre lindas, espectaculares e diferentes, nada a fazer.
E é isto, depois desta partilha sinto que entrei oficialmente no Outono.
Tenham dias de Outono muito felizes!


Até já
Ana Lado B
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