sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os anos passam, as memórias ficam

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Um destes dias, perguntou-nos o mais novo "quando as pessoas têm um acidente e se partem todas e vão parar ao hospital, como é que se chama aquele pagamento que têm de fazer?", o pai olhou para mim com ar de o que é que se passa com o miúdo? a minha reacção ???!!!! depois hesitante respondi taxa moderadora?... e o miúdo todo entusiasmado diz pois, é isso mesmo!!!  Ui, que raio de história é que viria dali. Como podem calcular fiquei desejosa que a terminasse para a ler, aliás é hábito, sempre que escreve uma pede-me que leia e lhe diga o que acho. Ainda tive de esperar um bom bocado, pois o texto prometia preencher uma A4 e um virar de página. Estávamos na cozinha, eu e o pai a preparar o almoço, ele na mesa da cozinha com uma máquina de escrever à frente.
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Esta máquina de escrever guardo numa estante à qual chamamos armário museu, uma espécie de avivador de memórias. A máquina pertenceu à minha mãe, que não fez grande uso dela, na minha adolescência herdei o objecto e usei-o bastante, não só para trabalhos escolares como também para escrever livremente. Sim, porque a malta é do tempo em que computador era igual a spectrum!... O meu pequeno R adora escrever à máquina, acha o máximo, mas faz-lhe uma certa confusão imaginar a vida dos pais, quando pequenos, sem computadores. O certo é que a máquina o encanta, com certeza pelo seu mecanismo, sem dúvida que a vê como um brinquedo, mas a verdade é que o objecto lhe estimula o gosto pela escrita... eu nunca o vi sentar-se em frente ao computador para registar uma palavra que fosse. Para já, computador é igual a jogar! Quando oiço o som das teclas a minha memória parece um turbilhão, regresso a momentos do passado num estalar de dedos. Sinto-me feliz por o meu pequeno R gostar tanto de registar a sua imaginação naquelas teclas. Quando está para ali virado passam-se manhãs ou tardes e as suas aventuras aparecem, ali, letra a letra. Adoro lê-las, são sempre hilariantes, e adoro que ele goste tanto de escrever. O nosso pirolito fez onze anos esta semana. Um dia as histórias dele também irão morar naquele armário, para que num futuro, sempre que nos apeteça, possamos pegar-lhes, lê-las rir-mo-nos que nem parvos e sentirmo-nos felizes. Ah, a história que surgiu neste dia era sobre um homem que se chamava Homem, que depois de passar por uma série de infortúnios (descritos ao pormenor), conheceu um super-herói, seguiu-lhe a coragem e determinação, deixou de ter azares na vida e foi feliz para sempre. Fim!


Até já
Ana Lado B


10 comentários:

  1. oh que lindo :))) Adorei esta partilha Ana!
    Realmente de pensar como é que nós vivamos sem computadores!? Trouxe-nos muita coisa boa (não nos conheceríamos p.e.) ...mas seguramente que muita coisa má também :) Há que equilibrar.
    Não sei que é feito da minha máquina...tenho que a ir procurar! :)
    Beijinhos

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    1. Não é?! Incrível o voo que as tecnologias fizeram dos anos 80 até à data... uma loucura!!! Os miúdos ficam mesmo com aquela pergunta eternamente por esclarecer "sem computadores!? como é que faziam??!!" e por mais que expliques como era, eles riem-se, riem-se e abanam a cabeça com aquele ar "coitados, como é que conseguiam..." eheheh
      bjs*

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  2. Os filhos encantam_nos com as suas interrogações e seus projetos!...bj

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  3. Os filhos encantam_nos com as suas interrogações e seus projetos!...bj

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  4. A máquina de escrever sempre me fascinou, o design do objecto, todo o mecanismo com aspecto rústico e ao mesmo tempo complexo. Sou do tempo em que ainda não se usavam computadores. Tenho uma que comprei nos anos 80, teve pouco uso rsrsrsr.

    O teu R tem fascínio pela máquina, quem sabe um dia temos um escritor, ainda há quem dê uso às máquinas de escrever. Dactilografar pode ser mais inspirador!
    Bjinhos

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    1. Sim, sim, é verdade. Conheço quem o faça, à máquina ou então manuscrito. Há quem não consiga usar o computador para a escrita (criativa). Há realmente um romantismo inspirador quando se usa a máquina e a ouvimos teclar :)
      Pois, quem sabe se o meu pequeno R não cultivará efectivamente o gosto pela escrita. Ele adora criar histórias, sejam escritas, sejam em banda desenhada, algo que também o fascina.
      bjs*

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  5. A máquina de escrever é um objeto tão interessante,que bom o teu menino poder dar largas à imaginação ao teclado de uma, um verdadeiro escritor, a minha filha nessa idade também escrevia imenso, mas, à mão em pequenos cadernos que ainda guarda, beijinhos

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    1. Este gosto pela escrita, que normalmente está associado ao gosto pela leitura, traz sempre frutos um dia mais tarde. É um exercício extraordinário! é bom vê-los mergulhados nas suas palavras ;)
      bjs*

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  6. Olá Ana, um encanto o teu filho. Como uma criança, da era dos computadores e da electrónica vai buscar uma máquina de escrever! o que é certo, é que organiza as suas ideias e vai compondo os seus textos. Dos meus 3 filhos, há uma que escreve bem, era de fato a que em pequena, mais livros lia. Também eu, até pouco tempo atrás, não conseguia escrever os meus rascunhos no computador. Para pôr as palavras no papel era à mão e só depois passava a limpo no computador. Agora não, já consigo pensar e teclar ao mesmo tempo! O tec tec da máquina faz-me lembrar o escritório do meu pai, de cada vez que lá entrava, alguém batia algo à máquina! Que o teu filho continue com essa veia da escrita. Admiro quem escreve bem, sem erros de português e com criatividade. Beijinhos!
    PS: aquela mesinha azulona que viste no blog, é das fotos mais "pinadas" que tenho no pinterest!

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