sábado, 13 de junho de 2015

Cá em casa gostamos # 5

sábado, 13 de junho de 2015
Tenho andado em fase de tempo inteiro gasto no meu Lado A. Muito trabalho, isto é, uma trabalheira! Esta semana passou a correr, em modo velocidade de cruzeiro, incluindo saídas da cidade e viagens de trabalho a outras terras. Fizemo-nos à estrada e lá fomos nós rumo ao sul. Em dois dias apenas nos restou uma manhã para darmos umas voltinhas e conhecermos melhor o lugar. Montemor-o-Novo, conhecem? É terra alentejana, pequena cidade no interior, linda. Trouxe umas fotos que consegui tirar antes de ficar sem bateria quando fui visitar o castelo, o ex-libris da cidade.



Digam-me. Esta ruína que se segue não vos faz lembrar África?! 


O castelo não tem só ruínas, tem bosques e um convento mas entretanto a bateria foi-se, não consegui registar mais nada. Ficam as memórias e a vontade de lá voltar, quem sabe se não será já nas férias deste ano. Bom, e após este pequeno registo de diário de bordo, vou agora falar-vos do que me moveu para a publicação de hoje: a Caldeirada do Avô Manuel. Cá em casa gostamos, muito!
O Avô Manuel... nunca o conheci, partiu ainda eu não tinha nascido. Era de Ilhavo, pai do meu pai, um homem embarcado que trabalhou toda a vida nos navios cargueiros. A minha avó falava-me muito do avô Manuel, "ai se ele te tivesse conhecido, teria sido uma alegria, serias a menina dele". Ouvi estas palavras vezes sem conta, com as saudades do avô estampadas nos olhos da minha avó. Contava-me muitas histórias do avô Manuel, onde descrevia os lugares por onde ele passou e me mostrava as recordações que ele trouxe, na sua maioria ainda hoje guardadas em casa dos meus pais. O avô Manuel correu mundo. Um homem muito vivido, agarrado às coisas simples da vida e, segundo consta, de uma boa disposição inigualável. Ui, confesso que se me aperta o peito quando falo dele. Nunca o conheci pessoalmente, é um facto, mas de tanto me terem falado do avô ao longo da minha infância e adolescência, tenho a sensação de que estive com ele e também eu sinto saudades. É estranho, eu sei, mas sinto isso mesmo. O meu avô foi alguém muito especial na família, alguém que mesmo depois de partir não nos abandonou, visto ter deixado muitas e boas recordações. E esta receita que hoje partilho foi um dos legados do meu avô e foi a minha querida avó que me ensinou a fazer, tal e qual o meu avô fazia.



Como qualquer caldeirada, todos os ingredientes são dispostos no tacho por camadas. Do fundo para cima: um fio de azeite, cebola às rodelas, alhos laminados, folhas de louro, batatas às rodelas, mais um fio de azeite para as regar, tomate cortado (em rodelas, cubos, como preferirem), o peixe (a gosto, o meu avô fazia com mistura de peixes, por norma escolho peixe branco com poucas espinhas, por causa dos miúdos), cebola, alho, batatas, fio de azeite, tomate. Ainda não referi sal e pimenta (moída), estes vão sendo colocados em pitadas conforme montamos as camadas de ingredientes. No final acrescenta-se um raminho de hortelã e antes de pôr-mos ao lume, rega-se com uma mistura de: água suficiente para meio tacho, um bocadinho de vinho branco, polpa de tomate e açafrão. Eu acrescentei à receita do meu avô mais um ingrediente, oregãos. Para quem gosta do sabor, dá um toque especial. E pronto, depois de tudo regado com esta mistura, tapa-se o tacho e vai ao lume até estar tudo cozinhado.  


Embora seja um prato servido quente, é sempre um prazer comê-lo em dias de Verão, acompanhado por um bom vinho branco, ou verde, bem fresco. 
Experimentem e deliciem-se, vale a pena ;)
Desejo-vos dias felizes!

Até já
Ana Lado B

6 comentários:

  1. Também visitei há uns meses esse castelo em Montemor-o-Novo, e até visitei a capela, pena que não registaste o resto, poderás lá voltar numa visita com a família. A caldeirada está apetitosa, é um prato que gosto bastante. O teu avô Manuel foi com certeza uma pessoa fantástica e a tua avó fez com que continuasse bem presente na memória, mesmo dos que não conheceu pessoalmente. Beijinhos

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    1. Fiquei mesmo com vontade de voltar, adorei aquela terra. Ah e com certeza que farei uma digna reportagem fotográfica ao castelo e não só. Imagina, existem nove conventos em Montemor-o-Novo!!!
      É verdade, o meu avô foi uma pessoa muito querida por todos :) muito obrigada pelas tuas palavras. Beijinhos

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  2. Conheço e gosto!
    É bom conhecermos um pouco dos nossos avós!
    Eu só não conheci o meu avô materno que morreu com 49 anos...mas o meu avô paterno faleceu com 107 anos e foi maravilhoso...com ele conviver!
    De aspeto delicioso...esse pitéu!!!
    Bj amigo

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    1. Uau! 107 anos, tal como o mestre Manuel de Oliveira. Nem consigo imaginar o que será viver um século ou ainda mais... bem, a minha avó materna morreu com 97 anos, também é obra! E a avó Laurinda, a companheira do avô Manuel, deixou-nos aos 92. Foram longas vidas e felizes :)
      beijinho
      um grande beijinho

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  3. Gosto muito desta receita :)
    Só de estar a ler já estou água na boca ;D
    Paisagens muito bonitas Ana :)
    Beijinhos

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    1. Olá Sandra! :)
      Esta caldeirada à moda do avô Manuel é muito nham!
      beijinhos

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